Uma das maiores dúvidas enfrentadas na prescrição de
atividade física para pacientes oncológicos é a sua intensidade. Ela representa o quanto de esforço é necessário para executar uma determinada tarefa, quanto mais esforço se faz para realizar o exercício, maior será sua intensidade. Sabemos que o tratamento (radio+quimioterapia) provoca alterações fisiológicas
(diminuição da capacidade cardíaca, pulmonar e do sistema vascular, redução da
concentração de hemoglobina e diminuição da capacidade oxidativa do músculo) que
podem reduzir a capacidade física do paciente. A questão é: qual é a
intensidade de exercício adequada para promover benefícios sem esforçar demais
o paciente?
Em 2010, pesquisadores do Colégio Americano de Medicina
Esportiva (ACSM – American College of
Sports Medicine) se reuniram para escrever um guia de prescrição de
atividade física para pacientes sobreviventes de câncer. Após analise de inúmeros
artigos científicos publicados, chegaram ao consenso que, para exercícios
aeróbios (ex. caminhada/corrida, bicicleta, natação, etc.) a recomendação é de
150 minutos por semana para intensidades moderadas e de 75 minutos por semana
para exercícios intensos (vigorosos). Sendo que, os parâmetros fisiológicos de
intensidade usados devem ser os mesmos da tabela de prescrição para indivíduos
saudáveis. Segundo esta tabela, intensidade moderada equivale a valores entre
64 a 76% da frequência cardíaca máxima (FCmáx) ou entre 46 a 63% do
volume máximo de oxigênio consumido (VO2máx) e intensidade vigorosa
equivale a 77 – 95 %FCmáx ou 64 – 90 %VO2máx. (ver tabela abaixo)
Tabela de intensidade do exercício aeróbio segundo parâmetros adotados pelo ACSM. Adaptado de Garber et col. (2011) |
Sabendo dos efeitos do tratamento, pesquisadores alemães do Departamento
de Oncologia Médica do Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha, realizaram
estudo comparando os valores de intensidade obtidos a partir de testes de
avaliação cardiovascular frente ao esforço físico (teste ergoespirométrico) em 52
pacientes que tinham acabado de completar o ciclo de quimioterapia adjuvante
para câncer de mama com os valores preditos pelo ACSM. Os resultados encontrados
apontam que a tabela do ACSM pode superestimar a condição física dos sobreviventes.
Isto significa que se esta tabela for usada para a prescrição de exercícios
aeróbios com uma intensidade moderada, pode-se, na verdade, expor o paciente a
uma intensidade vigorosa.
Cabeçalho do artigo publicado em 2015 pelo grupo do Departamento de Oncologia Médica do Hospital Universitário de Heidelberg. |
Do ponto de vista prático, isto significa que, em sobreviventes
de câncer de mama:
· As
alterações fisiológicas provocadas pelo tratamento realmente influenciam na
capacidade física;
· Estas
debilidades devem ser ponderadas na prescrição da atividade física e que a sensação
do paciente frente ao esforço deve ser considerada para ajustes de intensidade;
· Devemos
utilizar as recomendações do ACSM, tomando o devido cuidado na aplicação dos
valores de sua tabela de intensidade.
MSc. Rodrigo Ferraz
Para saber mais:
PANEL, EXPERT. "American College
of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors."
(2010): 1409-1426.
Garber, Carol Ewing, et al.
"American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality
of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal,
and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise." Medicine and science in sports and exercise 43.7 (2011): 1334-1359.
Scharhag-Rosenberger, Friederike, et
al. "Exercise training intensity prescription in breast cancer survivors:
validity of current practice and specific recommendations." Journal of Cancer Survivorship (2015): 1-8.
Boa Tarde! Sou Raphael graduando em Educação Física pela FMU SP. Postagem excelente, utilizei informações precisas sobre recomendação de exercício pela ACSM para câncer de próstata, para meu trabalho em doenças crônicas. Garnde Abraço
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