07 junho, 2018

Exercício e câncer: todo paciente pode treinar?



Enquanto perdemos tempo em debates relativos aos possíveis antagonismos entre a teoria (Ciência) e a prática (experiência no atendimento), profissionais mal intencionados ludibriam seus pacientes com condutas recheadas de pseudociência. Para reverter este quadro, que parece se alastrar no meio da saúde, é preciso compreender que a Ciência nada mais é que o resultado da aplicação controlada destas experiências, com o propósito de tornar seus resultados confiáveis e reprodutíveis ou simplesmente refuta-los.

Neste sentido, no texto passado (“Exercício e câncer: teoria ou prática?”) abordei a relevância prática da estatística e dos pacientes de uma pesquisa cientifica na escolha de intervenções clínicas. Outro conceito que deve ser contraposto se relaciona a abrangência dos resultados e que pode ser expresso pela seguinte frase: “os resultados das pesquisas sobre exercício físico (EF) e câncer (CA) foram obtidos por uma ínfima parcela da população com CA que é capaz de treinar. Duvido que a maioria dos pacientes seja capaz de realizar o que estes estudos propõem”.

Desde a década de 90, pesquisadores vêm investigando as interações entre o EF e CA. Como resultado, temos agora um corpo robusto de evidências que corroboram os benefícios terapêuticos da pratica sistemática e regular do EF em inúmeros tipos de CA. Destaco aqui os que possuem um maior número de artigos publicados, tanto em homens quanto em mulheres: próstata, mama, traqueia, brônquio e pulmão, cólon e reto, estômago, cavidade oral, esôfago, bexiga, laringe, leucemias, tireoide, colo e corpo do útero e ovário. Estes, quando somados, equivalem a aproximadamente 75% da incidência prevista para 2018 de CA na população brasileira (INCA).

Entretanto, mesmo quando olhamos para esta relação positiva (estudos/tipos de CA), ainda podem restar dúvidas sobre a viabilidade do EF em pessoas com CA que se encontram em condições de maior fragilidade. Para isso, cito o resultado de duas revisões recém-publicadas que analisaram a aplicação do EF em pacientes idosos e em estágios avançados de CA: além da constatação que estas populações são capazes de treinar, também foram encontradas melhoras significativas na funcionalidade, composição corporal, fadiga, qualidade de vida, distúrbios do sono e função psicossocial, com uma baixa ocorrência de eventos adversos. Desta forma, comprova-se a efetividade do EF no manejo de sintomas debilitantes frequentemente associados aos últimos estágios da doença e em idade mais avançadas.

É claro que para toda regra há exceções. O EF pode não ser recomendado para uma determinada pessoa. E é por isso que, independentemente do tipo e do estágio de CA e da senilidade do paciente, é importante que exista uma rigorosa avaliação prévia, de preferência multidisciplinar, capaz de identificar possíveis comorbidades associadas, neuropatias, complicações musculoesqueléticas e condições cardíacas, a fim de libera-lo à pratica esportiva e adequar a intensidade, volume e o modo do EF.

Mais uma vez, fica claro que não é possível acreditar e difundir que a Ciência reflete situações específicas sem valor de aplicação prática. Condutas devem ser baseadas em evidências cientificas. E viva a Ciência!

Para saber mais:
  • ·     Stout, Nicole L., et al. "A systematic review of exercise systematic reviews in the cancer literature (2005-2017)." PM&R 9.9 (2017): S347-S384.
  • ·     Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2017.
  • ·     Heywood, Reginald, Alexandra L. McCarthy, and Tina L. Skinner. "Efficacy of exercise interventions in patients with advanced cancer: A systematic review." Archives of physical medicine and rehabilitation (2018).
  • ·     Loh, Kah Poh, et al. "Exercise for managing cancer-and treatment-related side effects in older adults." Journal of geriatric oncology (2018).

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz

Texto original publicado na Coluna Paciente em Forma no Portal Oncoguia.

23 maio, 2018

Exercício após a mastectomia


A prática regular e sistemática de exercícios físicos (EF) mostra-se eficaz, segura e exequível em mulheres mastectomizadas, tanto durante quanto depois do tratamento.

Além da melhora comprovada das capacidades físicas (força/potência, flexibilidade e aeróbica), o EF também atenua os efeitos colaterais do tratamento anticâncer. Destaca-se, para esta população, a redução significativa da fadiga.
Efeito do exercício na redução da fadiga durante e após o tratamento em mulheres com câncer de mama (Juvet et al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.


O EF, através de mecanismos ligados ao aumento da perfusão sanguínea no microambiente tumoral e da melhora do sistema imunológico, potencializa a ação dos agentes quimioterápicos e das células NK (natural killer), repercutindo na redução do crescimento tumoral.

Cabeçalho do artigo que discute o item acima.
A consequência dos itens citados acima é a melhora da qualidade de vida e aumento de sobrevida – estudos mostram que baixo volume e intensidade de EF durante e após o tratamento possuem pouca ou nenhuma eficácia na redução da mortalidade.

Cabeçalho do artigo que discute o item acima.
Antes da mastectomia: logo após o diagnóstico, as pacientes sedentárias devem iniciar um programa de EF. Para as que já praticam, recomenda-se intensificar o treinamento. Também, neste período, devem ser realizadas avaliações físicas (avaliação postural, ergoespirometria, antropometria, amplitude de movimento de membros superiores, etc.) e questionários específicos (qualidade de vida e funcionalidade). (ver tabela abaixo)

Tabela com as recomendações das avaliações pré mastectomia (Wilson el al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.
Pós-cirurgia: iniciar, ainda no hospital, caminhada (5’ a 10’ 2x/dia) e rotina de alongamentos para membros superiores (2 a 7X/dia) no dia seguinte a cirurgia. Manter esta rotina nas duas primeiras semanas pós-intervenção.

Cabeçalho do artigo que investigou os benefícios do alongamento após cirurgia (Scaffidi el al. 2012). 
Após segunda semana: intensificar o programa de condicionamento aeróbico (pelo menos 150’/semana com intensidade moderada a intensa). Continuar com alongamento (recomenda-se mantê-lo ao longo do primeiro ano). Iniciar treinamento de força para membros superiores (cargas leves entre 0,5 e 1Kg, movimentos lentos e controlados, 2 séries de 10 repetições por exercício).

Tabela com a rotina de treinamento aeróbico (Wilson et al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.

Evidências cientificas corroboram a eficácia do treinamento de força para membros superiores em pacientes mastectomizadas na manutenção da força e massa muscular e atestam sua segurança (não aumentam o tamanho e a incidência de linfedemas).

Cabeçalho do artigo que discute o item acima.


A progressão do volume e intensidade e a escolha dos exercícios devem respeitar o estado físico e emocional da paciente. A liberação à pratica do EF deve ser feita pelo médico responsável.

Tabela com os benefícios do exercício físico nas pacientes mastectomizadas (Wilson et al. 2017).
Lista dos artigos citados:
  • Juvet, L. K., et al. "The effect of exercise on fatigue and physical functioning in breast cancer patients during and after treatment and at 6 months follow-up: A meta-analysis." The Breast 33 (2017): 166-177.
  • Koelwyn, Graeme J., et al. "Exercise-dependent regulation of the tumour microenvironment." Nature reviews. Cancer 17.10 (2017): 545.
  • Hojman, Pernille, et al. "Molecular Mechanisms Linking Exercise to Cancer Prevention and Treatment." Cell Metabolism (2017).
  • Li, Tingting, et al. "The dose–response effect of physical activity on cancer mortality: findings from 71 prospective cohort studies." Br J Sports Med(2015): bjsports-2015.
  • Wilson, Donna J. "Exercise for the patient after breast cancer surgery." Seminars in oncology nursing. Vol. 33. No. 1. WB Saunders, 2017.
  • Scaffidi, M., et al. "Early rehabilitation reduces the onset of complications in the upper limb following breast cancer surgery." European journal of physical and rehabilitation medicine 48.4 (2012): 601-611.
  • Schmitz, Kathryn H., et al. "Weight lifting in women with breast-cancer–related lymphedema." New England Journal of Medicine 361.7 (2009): 664-673

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Até a próxima...
Rodrigo Ferraz

13 março, 2018

HIIT e câncer – implicações de sua prática durante o tratamento.


O diagnóstico do câncer (CA) é, quase sempre, acompanhado de declínio fisiológico e psicossocial devido à manifestação da doença e aos efeitos adversos do tratamento. O exercício físico (EF) é, comprovadamente, uma estratégia viável de atenuar ou interromper estes processos.  Além disso, o EF também é capaz de reduzir o risco de recorrência e mortalidade relacionadas a determinados tipos de CA.  O treinamento contínuo de intensidade moderada (MICT) é o EF mais estudado e possui eficácia e segurança comprovadas nas promoções dos benefícios acima. No entanto, pesquisas recentes apontam que o EF realizado em intensidades mais elevadas pode trazer vantagens adicionais a pessoas com CA.

Em revisão recém-publicada, foram analisados nove artigos (n=531) que compararam protocolos de HIIT (treinamento intervalado de alta intensidade; que compreende em séries de curta duração de EF em alta intensidade intercaladas por períodos de repouso ou recuperação ativa) com os de MICT ou controle em desfechos relacionados à segurança e melhora das capacidades físicas em pacientes com CA.  Os estudos ​​mostraram que o HIIT, quando feito de maneira supervisionada, apresenta baixo risco de eventos adversos e promove melhorias significativas no VO2 máx., força, massa e gordura corporal em comparação ao MICT ou controle. Adicionalmente constatou-se que o HIIT de modo misto, que inclui exercícios aeróbicos e de força (musculação), foi o mais eficiente quando confrontado ao HIIT aeróbico.

Cabeçalho do revisão sistemática citada acima (Toohey, K. et al. 2018).
Em outro estudo, a fadiga, qualidade de vida e carga de sintomas relacionados ao tratamento foram analisadas em 240 mulheres durante o tratamento de CA da mama (divididas em três grupos: HIIT misto, HIIT aeróbico e controle) em um protocolo com 16 semanas de duração. Ambos os treinos obtiveram resultados superiores significativos em todos os quesitos quando comparados ao controle. Novamente, o HIIT misto foi o mais efetivo em promover tais benefícios (ver painel abaixo). Nestes dois estudos, seus autores concluem que o HIIT apresenta-se como uma possibilidade de intervenção em pacientes com CA e que a brevidade de sua duração pode ser relevante para evitar barreiras comuns relacionadas ao tempo enfrentadas antes, durante e após o tratamento do CA pelo paciente.

Painel com os gráficos indicando as alterações após as 16 semanas de intervenção dos três grupos (HIIT misto, HIIT aeróbico e Controle) nos índices de fadiga, qualidade de vida e dos sintomas. (Mijwel, S. et al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.
Cabeçalho do artigo citado acima (Mijwel, S. et al. 2017).
Fica claro, diante destes achados iniciais e exploratórios, que o HIIT (aeróbico ou misto) parece ser seguro e eficiente, tanto para a melhoria de certos desfechos fisiológicos, quanto para clínicos no manejo do CA. Ainda faltam mais estudos que esclareçam a dose adequada e a sua progressão, taxas de eventos adversos e a estratificação de risco, efeitos em outros tipos de CA e em seguimentos mais longos; para se avaliar o possível efeito anticâncer desta estratégia, é aventada a possibilidade de o HIIT atenuar processos inflamatórios envolvidos na iniciação e progressão de tumores. Entretanto, o MICT não deve ser descartado, uma vez que já possui segurança e eficácia comprovada.

Cabeçalho do artigo que discute os possíveis afeitos anticâncer do HIIT (Papadopoulos, E. 2018)
Quer saber mais?
  • ·     Papadopoulos, Efthymios, and Daniel Santa Mina. "Can we HIIT cancer if we attack inflammation?." Cancer Causes & Control (2018): 1-5.
  • ·     Mijwel, Sara, et al. "Adding high-intensity interval training to conventional training modalities: optimizing health-related outcomes during chemotherapy for breast cancer: the OptiTrain randomized controlled trial." Breast cancer research and treatment (2017): 1-15.
  •       Toohey, Kellie, et al. "High-intensity exercise interventions in cancer survivors: a systematic review exploring the impact on health outcomes." Journal of cancer research and clinical oncology 144.1 (2018): 1-12.
Até a próxima...
Rodrigo Ferraz

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30 outubro, 2017

O exercício na melhora da atenção de mulheres com câncer de mama


"Os relatos de perda de memória e atenção durante e após o tratamento são comuns entre as mulheres com câncer (CA) de mama. Este evento é conhecido como Comprometimento Cognitivo Relacionado ao Câncer (CCRC) e acomete, principalmente, as pacientes durante a quimioterapia. Os possíveis mecanismos que levam a este prejuízo cognitivo estão relacionados à capacidade dos agentes quimioterápicos em atravessar a barreira hematoencefálica, danos ao DNA, reparo neural e alteração nos níveis de neurotransmissores, citosinas, estrógeno e testosterona.

Entre as funções cognitivas mais suscetíveis estão a executiva e a memória funcional - processos mentais que controlam e regulam ações direcionadas a capacidade de armazenar, traduzir e aplicar informações temporariamente. Por efeito, pacientes com CA de mama queixam-se de déficit de atenção, dificuldade de retornar ao trabalho e de cumprimento dos papéis sociais, angustia e perdas da autoconfiança e da qualidade de vida.

Comprovadamente, a realização regular e sistemática de exercícios físicos, preferencialmente os aeróbicos, promove redução no declínio cognitivo relacionado à idade em idosos. Novos estudos estão agora ampliando estes achados para o CA de mama."

Entre em nosso texto  O exercício na melhora da atenção de mulheres com câncer de mama da coluna Paciente em Forma no portal Oncoguia e saiba quais são estes estudos e os impactos de seus resultados na qualidade de vida das pacientes com câncer de mama.

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Boa leitura e até a próxima...
Rodrigo Ferraz




25 outubro, 2017

Ação anticâncer do exercício – Parte II


Na primeira parte vimos que o exercício físico (EF) promove alterações locais e sistêmicas no organismo capazes de atuar no microambiente tumoral (MAT) e alterar características (Hallmarks) das células de câncer (CA) e, com isso, reduzir o risco no desenvolvimento do CA e melhorar seu prognóstico. (ver imagem abaixo)

Cabeçalho do artigo citado na primeira parte.
Ilustração com as alterações locais e sistêmicas provocadas pelo EF agudo e crônico e seus efeitos no tumor. (Koelwyn. et al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.

Cito agora algumas características:

Angiogênese: tumores sólidos têm vasos sanguíneos "anormais", levando a baixa tensão de oxigênio (hipóxia) no MAT. Esta condição ativa uma proteína reguladora de mecanismos ligados a sobrevivência celular (HIF-1) que estimula a angiogênese - processo responsável pela formação de mais vasos sanguíneos incomuns. Graças a este ciclo negativo, intensifica-se a hipóxia e cria-se um fenótipo tumoral mais agressivo (células de CA mais difíceis de responder ao tratamento). O EF aumenta a maturidade vascular em tumores sólidos - amplia a biodisponibilidade do óxido nítrico, um mediador crítico da angiogênese.  Além disso, o EF influencia o MAT através da redistribuição do débito cardíaco - em modelo animal de CA, a perfusão de sangue no MAT aumentou em 200% durante o EF em comparação as condições basais, resultando em uma redução de 50% na hipóxia no MAT.

Reprogramação metabólica: células de CA necessitam de muitos ATPs para suportar suas demandas bioenergéticas e biossintéticas de hiperproliferação. Em função disto, seu metabolismo torna-se mais glicolítico. Como resultado, aumentam os níveis de lactato no MAT, provocando alterações pró-tumorigênicas, incluindo imunossupressão e angiogênese. O EF diminui as concentrações de lactato no MAT como consequência da redução na disponibilidade de glicose, o que estimula as células de CA priorizarem processos metabólicos menos glicose dependentes, e que acabam gerando menos lactato (por exemplo, fosforilação oxidativa), soma-se a isto a melhor depuração do lactato em virtude da vascularização tumoral aumentada após exposição ao EF.

Função imune: células de CA conseguem escapar da imunidade do hospedeiro para sobreviverem e se propagarem. O EF altera a quantidade e a função das células que compõem o sistema imune na circulação e dentro de compartimentos de tecido, inclusive do tumor. Por exemplo, o EF aumenta a infiltração de células Natural Killer (NK) (parte do sistema imune inato e responsável pela proteção antitumoral) no MAT. A mobilização aguda de células NK via EF ocorre após esforços de media e alta intensidade (associados a aumentos das concentrações de catecolanimas). Em resposta, os miócitos liberam miocinas que mobilizam as células imunitárias, cujo papel fundamental é a proliferação, maturação e ativação das NKs. (ver imagem abaixo)

Ilustração das ações do EF nas células NK e óxido nítrico (ROS)e suas interações com o tumor (Hojman. et al. 2017). Clique na imagem para ampliá-la.

Reforçando o apresentado, pesquisadores europeus acabam de publicar na Cell artigo similar associando o EF a modificações no curso do CA em virtude de interações no MAT.

Cabeçalho do artigo citado acima.

Existem mais mecanismos capazes de alterar as Hallmarks - cabe a leitura dos artigos aqui citados. Realço a relevância e impacto das revistas que eles foram publicados (Nature e Cell). Isto significa que seus achados e conclusões são extremamente confiáveis e passíveis de extrapolação. 

Ilustração do impacto clínico do EF nas diversas fases do tratamento do câncer (Hojman. et al. 2017). Cilque na imagem para ampliá-la. 
Exercise is anticancer! 

Exercise is medicine!

Referências dos artigos:
  • Koelwyn, Graeme J., et al. "Exercise-dependent regulation of the tumour microenvironment." Nature reviews. Cancer 17.10 (2017): 545.
  • Hojman, Pernille, et al. "Molecular Mechanisms Linking Exercise to Cancer Prevention and Treatment." Cell Metabolism (2017).


Até a próxima...
Rodrigo Ferraz




20 outubro, 2017

Ação anticâncer do exercício – Parte I


Comprovadamente, a prática regular de exercício físico (EF) é capaz de reduzir o risco no desenvolvimento do câncer (CA) e melhorar o seu prognóstico. A explicação destes eventos pode estar na adaptação fisiológica do organismo ao esforço e sua influência nas células de CA – o microambiente tumoral (MAT) é altamente plástico e remodela-se constantemente em resposta a alterações sistêmicas, como, por exemplo, as provocadas pelo EF.

Ao longo dos últimos 30 anos, numerosos estudos observacionais mostraram que a exposição ao EF crônico reduz fortemente o risco de desenvolvimento primário de muitos tipos de CA. Além disso, dados iniciais publicados na última década sugerem que a realização de EF após o diagnóstico de certos tumores sólidos pode reduzir a progressão da doença e mortalidade relacionada ao CA. 

Mais recentemente, esta singular engenharia anticâncer começou a ser desvendada; algumas das adaptações fisiológicas ao EF podem atuar em características que são únicas às células de CA. Estas características, conhecidas como “Hallmarks of cancer”, determinam os traços comuns entre todos os CAs. 

Cabeçalho do artigo citado acima.


Atualmente são 10 características: 
  1. Autossuficiência em sinais de crescimento: células de CA adquirem um impulso autônomo para proliferar — mitose patológica — em virtude da ativação de oncogenes como ras ou myc. 
  2. Insensibilidade a sinais inibidores de crescimento (anticrescimento): células de CA desativam genes supressores de tumor, como o retinoblastoma (Rb), que normalmente inibe o crescimento. 
  3. Evasão de morte programada das células (apoptose): células cancerosas suprimem e desativam genes e vias que normalmente possibilitam a morte das células.  
  4. Infinito potencial de replicabilidade: células de CA cancerosas ativam vias genéticas específicas que as tornam imortais, mesmo depois de crescerem por gerações. 
  5. Angiogênese sustentada: células de CA adquirem a capacidade de obter seu próprio suprimento de sangue e vasos sanguíneos — angiogênese tumoral. 
  6. Invasão de tecido e metástase: células de CA adquirem a capacidade de migrar para outros órgãos, invadir outros tecidos e colonizar esses órgãos, espalhando-se pelo corpo todo.
  7. Desequilíbrio energético celular: células de CA adquirem capacidade de modificar ou reprogramar o metabolismo celular para apoiar de forma mais eficaz a proliferação neoplásica.
  8. Evasão da destruição imune: células de CA coseguem evitar a destruição imunológica, em particular por linfócitos T e B, macrófagos e células Natural Killer (NK).
  9. Instabilidade do genoma: A instabilidade e mutabilidade genôm ica fornecem células de CA com alterações genéticas que impulsionam a progressão tumoral.
  10. Inflamação: A inflamação por células imunes inatas projetadas para combater infecções e curar feridas pode, em vez disso, resultar em suporte inadvertido de múltiplas características citadas acima. (ver imagem abaixo)

As 10 características da célula de câncer e possíveis abordagens terapêuticas (Hanahan et al. 2011). Clique na imagem para ampliá-la.
Diante deste contexto, pesquisadores de universidades americanas e canadenses publicaram um artigo na renomada revista cientifica Nature indicando que a ativação ou potencialização de determinados mecanismos, de forma local ou sistêmica, pelo EF promove remodelamento do MAT, alterando características como a angiogênese sustentada, evasão da destruição imune, desequilíbrio energético e apoptose, justificando, pelo menos em parte, a ação anticâncer do EF.

Cabeçalho do artigo citado acima.
Além do importante papel na atenuação dos efeitos colaterais do CA e seu tratamento, destaca-se agora, à luz destes achados, a função modificadora no curso da doença com a prática regular do EF.
  
No próximo post (parte II) abordaremos os mecanismos específicos e suas ações nas características do CA.

Referências citadas:
  • Hanahan, Douglas, and Robert A. Weinberg. "Hallmarks of cancer: the next generation." cell 144.5 (2011): 646-674.
  • Koelwyn, Graeme J., et al. "Exercise-dependent regulation of the tumour microenvironment." Nature reviews. Cancer 17.10 (2017): 545.

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Até lá...
Rodrigo Ferraz




07 outubro, 2017

Recomendações de exercício para pacientes com câncer


Evidências científicas apoiam a prática regular e sistematizada de exercício físico (EF) em pacientes com câncer (CA) e ratificam os seus benefícios; no entanto, ainda falta orientação específica para a tomada de decisão clínica em relação ao modo, frequência, duração e intensidade do EF. Além disso, a complexidade do estado de saúde, histórico clínico e a funcionalidade do paciente com CA dificultam tais recomendações. Como resultado, frequentemente a realização do EF é ignorada no planejamento da terapêutica anticâncer. 

A fim de esclarecer esta situação, uma recém-publicada revisão analisou outras 51 revisões (publicadas entre 2005 e 2017) sobre EF a CA com o objetivo de agregar informações relativas aos benefícios e recomendação do EF. Seus resultados sugerem que a duração e o tipo de EF podem afetar de forma diferente marcadores biológicos e fisiológicos, fatores psicossociais, deficiências funcionais, bem como proporcionar melhor tolerância ao tratamento do CA. 

Cabeçalho da revisão sistemática citada no texto.

Mais especificamente, temos:

Intensidade - maiores benefícios são encontrados quando o EF aeróbio é realizado em intensidade moderada a vigorosa. Estes efeitos são observados tanto durante como após o tratamento. Em geral, intensidades moderadas ou vigorosas resultam em melhorias na aptidão física, incluindo o consumo máximo de oxigênio, força muscular, resistência, funcionalidade, bem como na função imune. Estas intensidades são consideradas seguras se realizadas em ambientes supervisionados.

Estrutura – programas de EF supervisionados produzem maiores benefícios em comparação aos programas de EF não supervisionados. 

Período - A realização de EF é positiva quando inserida em qualquer período da intervenção terapêutica (pré-tratamento, o tratamento ativo e o pós-tratamento). As revisões de EF pré-hospitalares ou pré-cirúrgicos apontam melhorias na adesão ao treinamento, tolerância à terapêutica farmacológica, especificamente à quimioterapia, mitigação do declínio funcional após o início do tratamento, melhorias relacionadas à recuperação funcional pós-tratamento, reduções no período de permanência hospitalar e de complicações pós-operatórias.

Quando iniciado pré ou mesmo durante o tratamento, o EF também pode mitigar o risco de eventos adversos relacionados à contagem sanguínea, como neutropenia e trombocitopenia. 

O EF, mesmo quando inserido durante o tratamento, promove melhoras na função imune, na tolerância à quimioterapia e a seus efeitos colaterais (fadiga, depressão, ansiedade e distúrbios do sono), qualidade de vida e funcionalidade.

Ver tabela abaixo com recomendações específicas de EF

Tabela com recomendações específicas de EF para pacientes com CA. Clique na imagem para ampliá-la (Stout et al. 2017)

Esta revisão também detalha o impacto específico do EF em alguns desfechos que são influenciados pelo tratamento anticâncer, são eles:

Fadiga relacionada ao CA – o EF pode ser considerado a intervenção mais relevante na redução da fadiga em comparação às intervenções farmacêutica e a psicológica isoladamente.

Aptidão física – forte impacto positivo nas medidas de aptidão física, incluindo consumo máximo de oxigênio, tolerância ao exercício aeróbio, potência máxima, força, flexibilidade e várias medidas de aptidão cardiorrespiratória.

Composição corporal – benefício em aumento de massa magra e a fraca evidência para melhora na densidade mineral óssea.

Biomarcadores associados à progressão do CA – melhoras significativas nos perfis de biomarcadores, incluindo fator de crescimento de insulina (IGF) -I e IGF-II, células CD-4, função imune e diminuição de marcadores inflamatórios, tanto durante quanto após o tratamento do CA.

Atesta-se mais uma vez, com resultados desta “revisão das revisões”, que o EF, quando realizado em qualquer momento do tratamento, promove inúmeros benefícios sistêmicos ao paciente com CA, que as intensidades moderadas ou vigorosas potencializam estes resultados e são consideradas seguras. Seus autores concluem que é obrigação dos profissionais da área de saúde recomendar o EF, e que o paciente com CA requer atenção e um plano de EF específico, desenvolvido com base na aptidão inicial, níveis funcionais do indivíduo, efeitos colaterais relacionados ao tratamento e metas pessoais de saúde.

Referência citada: Stout, Nicole L., et al. "A systematic review of exercise systematic reviews in the cancer literature (2005-2017)." PM&R 9.9 (2017): S347-S384.

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Até a próxima...

Rodrigo Ferraz

15 setembro, 2017

Como o exercício atua no organismo do paciente com câncer?



Desde os anos 90, inúmeras pesquisas científicas sobre os efeitos da realização regular e sistematizada do exercício físico no câncer e seu tratamento foram publicadas com resultados indiscutíveis. Temos agora um sólido corpo de conhecimento que atesta o exercício como uma ferramenta de intervenção terapêutica no câncer. Logo, o profissional da área da saúde que não oferecer esta possibilidade ao seu paciente, ou está sendo omisso ou, ao menos, está mal informado. 

Para que não ocorram mais negligências e desinformações, chegamos a um momento crucial: organizar este conhecimento a fim de que todos tenham acesso a ele. Além disso, no meio de tantas publicações, é preciso criar critérios para filtrar as boas das não tão boas pesquisas, os resultados milagrosos dos reais, resumindo, a pseudociência da ciência. Para começar, devemos entender o básico: como o exercício atua no organismo do paciente com câncer. Para isso, a fim de simplificá-lo, dividi este processo em três níveis:

Leia o nosso texto “Como o exercício atua no organismo do paciente câncer” da Coluna Paciente em Forma no Portal Oncoguia para saber sobre estes níveis e como eles atuam na melhora da qualidade de vida e aumento da sobrevida no paciente com câncer.

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Boa leitura e até a próoxima...

Rodrigo Ferraz


15 junho, 2017

Dicas de como organizar o treinamento de pacientes com câncer 2 - prescrição


Transformando teoria em prática: como aplicar a Ciência no dia a dia do treinamento de pacientes com câncer.

As dicas desta publicação são de como tornar o treinamento mais individualizado, eficiente e seguro possível. Fatores que devem ser considerados na hora de prescrever os exercícios para pacientes com câncer, são eles:

  • Tipo e estadiamento do câncer.
  • Efeitos colaterais deste câncer no paciente.
  • Terapêutica anticâncer utilizada – organizar as sessões de acordo com a rotina farmacológica.
  • Efeitos colaterais desta terapêutica no paciente.
  • Literatura cientifica – muitos estudos mostram a dosagem mais eficiente e segura dos exercícios na redução dos itens acima (leiam as publicações sobre este assunto em nosso site)
  • Estado físico e emocional – o ajuste individualizado na dosagem deve ser a partir deste fator.
  • Histórico esportivo.
  • Preferências esportivas – para garantir aderência ao treinamento.
  • Expectativas e objetivos – pode ser apenas para melhorar a qualidade de vida, ou até para correr uma maratona.
  • Local de realização dos exercícios – clínica, academia, em casa ou ao ar livre.
  • Equipamentos disponíveis.
  • Disponibilidade de horários para treinar.


Textos completos sobre exercício e câncer em oncofitness.com.

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Rodrigo Ferraz

07 junho, 2017

O exercício protege o coração do paciente com câncer.


Pacientes com câncer (CA) correm maior risco de morbidade e mortalidade relacionadas às doenças cardiovasculares - resultado de um estilo de vida sedentário (por exemplo, redução da atividade física) e da terapia farmacológica. Muitos agentes com ação anticâncer estão associados à toxicidade vascular, mediada principalmente pelos seus efeitos deletérios nas células endoteliais. O endotélio vascular atua na homeostase e na função da circulação sanguínea, modulando a atividade das células dos músculos lisos subjacentes. Desta forma, pacientes com disfunção vascular podem desenvolver danos cardíacos graves e outros efeitos secundários, tais como hipertensão, lesão miocárdica, hemorragia intersticial, isquemia do miocárdio e vasoespasmo coronário. (ver tabela abaixo com os principais componentes medicamentosos utilizados no tratamento antineoplásico e a suas comprovações cardiotóxicas)

Tabela com componentes medicamentosos antineoplásicos e sua cardiotoxicidade. Adaptado de Guertin. P. (2017). Clique na tabela para ampliá-la.
Infelizmente, ainda não existem medicamentos que agem na prevenção ou tratamento destes efeitos cardiotóxicos. Neste sentido, a realização regular e sistematizada de exercícios físicos apresenta-se como uma terapia alternativa e eficaz para aumento do VO2 máximo e melhora da função endotelial em pacientes com CA. Estudo recente demonstrou que o aumento em 3,5 ml/kg/min. no VO2 máx. de pacientes com CA de mama e próstata, promovido por um programa de treinamento físico, diminuiu em 12 e 17% a mortalidade de homens e mulheres, respectivamente. Adicionalmente, também foi encontrado que a melhora em 1% da FMD (flow-mediated dilation) – medida da capacidade de dilatação arterial - provocou redução de até 13% no risco cardiovascular.

Cabeçalho do artigo citado acima - Sua apresentação no 28th International Nursing Research Congress. Clique na imagem para ampliá-la.
Conclui-se então que, os exercícios físicos podem melhorar a função cardiovascular, amenizando os efeitos cardiotóxicos do tratamento anticâncer, com consequente redução da morbidade e mortalidade relacionadas a doenças cardiovasculares em sobreviventes de CA de mama e próstata.

Referências:
  • Beaudry, Rhys I. "Effect of Exercise Training on Vascular Function in Cancer Survivors: A Meta-Analysis." Sigma Theta Tau International's 28th International Nursing Research Congress. STTI, 2017.
  • Guertin, Pierre A. "Cancer Therapy-Induced Cardiotoxicity: Where are We Now?." Cardiology and Cardiovascular Medicine 1.2 (2017): 102-109.


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Até a próxima...
Rodrigo Ferraz

19 maio, 2017

Dicas de como organizar o treinamento de pacientes com câncer - segurança


Transformando teoria em prática: aplicação da Ciência no dia a dia do treinamento físico de pacientes com câncer.

As dicas desta publicação são de como tornar mais segura a realização de exercícios durante e após o tratamento:
  • A liberação à prática esportiva deve ser feita pelo médico responsável.
  • Não praticar exercícios com baixa contagem de glóbulos vermelhos.
  • Evitar se exercitar em locais públicos com contagem de glóbulos brancos baixa.
  • Restrições ou dores articulares causadas pelo tratamento e/ou localização do tumor devem ser considerados na escolha e execução do exercício.
  • Não treinar em dias de ocorrência intensa de vômitos e diarreia.
  • No uso de cateter ou sonda alimentar, evitar modalidades aquáticas, bem como a realização de movimentos que envolvam a região onde a sonda está inserida.
  • Não realizar exercícios nos dias de extrema fadiga.
  • Ajustar a rotina de treinamento com a rotina da terapia sistêmica.

Textos completos sobre exercício e câncer em oncofitness.com.

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Rodrigo Ferraz

12 maio, 2017

O treinamento ideal para o paciente com câncer.



Vivemos em um mundo de tecnologias imediatas que nos oferecem respostas rápidas e simples para quase todas as nossas dúvidas, principalmente as de saúde. A internet, por exemplo, nos bombardeia com inúmeras fórmulas de sucesso, metodologias infalíveis, protocolos milagrosos e assim por diante. Infelizmente, na maioria destes casos, esta informação é divulgada por pessoas despreparadas, que acabam simplificando processos complexos com objetivo de ganhar mais seguidores ou dinheiro. Com o câncer, isto é pior. Pacientes emocionalmente fragilizados pelo diagnóstico e prognóstico da doença são mais facilmente atraídos por falsos milagres.

Na prescrição de exercícios, este panorama não é diferente. Rejeito muito a ideia de se estabelecer uma verdade absoluta capaz de solucionar todas as variáveis envolvidas na elaboração de um treinamento. Se as levarmos em consideração, jamais existirá um treino ou exercício ideal que induza respostas idênticas em todos os pacientes com câncer. Além disso, a ciência está em constante construção – basta pensar como era aplicação de exercícios físicos no paciente com câncer na década de 80: uma heresia. O que hoje é uma certeza, amanhã não é mais.

Mesmo contrariando os meus princípios, vou entregar o meu segredinho da receita do treinamento ideal, lá vai...

Saiba mais sobre esta receita em O treinamento ideal para o paciente com câncer que é o nosso texto de Maio da Coluna Paciente em Forma no Portal Oncoguia.

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Boa leitura e até a próxima...

Rodrigo Ferraz

21 abril, 2017

Mulheres com CA de mama se beneficiam do exercício durante e após o tratamento


Acaba ser publicada importante revisão sistemática (meta-análise) que avalia a eficácia do exercício físico (EF) realizado por mulheres com câncer (CA) de mama durante ou após o tratamento em relação à fadiga e funcionalidade. Foram selecionados para esta análise 33 estudos, totalizado 3418 mulheres com CA de mama não metastático – submetidas a procedimentos cirúrgicos seguidos por radioterapia e/ou quimioterapia.

Cabeçalho do artigo citado
Os resultados apontam que os grupos que treinaram durante ou após o tratamento as melhoras na fadiga e na funcionalidade foram significativas quando comparados aos grupos controles (sedentários).  Sendo que, o grupo mais beneficiado foi o pós-tratamento. Segundo os autores, esta diferença de efeito do EF entre estes grupos se dá pela característica da terapêutica anticâncer que, na maioria das vezes, contribui para o aumento acentuado da fadiga e redução da funcionalidade do paciente. O EF nesta fase tem a função de manter estes desfechos nos níveis pré-tratamento e, uma vez encerrada a terapêutica, o EF é capaz de modifica-los. (ver gráficos abaixo)

Gráfico Box-pot com o tamanho do efeito e comparação dos grupos experimental (EF) e controle (sedentário) durante e após o tratamento no desfecho funcionalidade. (Juvet et al. 2017) Clique no gráfico para ampliá-lo.

Em outra análise realizada, não foram encontradas diferenças significativas que favoreçam determinado tipo de intervenção (modalidade) de EF (treinamento de força, aeróbico e combinado). Entretanto, os resultados indicam que a combinação de exercício aeróbico e treinamento de força parece ser a mais benéfica em pacientes com CA de mama, tanto durante quanto no pós-tratamento. Neste caso, há a necessidade de mais estudos.

Gráfico Box-pot com o tamanho do efeito e comparação dos grupos experimental (EF) e controle (sedentário) durante e após o tratamento no desfecho fadiga. (Juvet et al. 2017). Clique no gráfico para ampliá-lo.

Novas revisões científicas sobre este assunto são publicadas quase que diariamente, com números de estudos e pacientes avaliados cada vez maiores, potencializando ainda mais a extrapolação de seus resultados. Assim como o estudo apresentado, a conclusão deles é unanime: pacientes com CA de mama se beneficiam da realização do EF de forma regular e sistematizada durante e após o tratamento.

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Referência do artigo:
  • Juvet, L. K., et al. "The effect of exercise on fatigue and physical functioning in breast cancer patients during and after treatment and at 6 months follow-up: A meta-analysis." The Breast 33 (2017): 166-177.

Até a próxima...

Rodrigo Ferraz

17 abril, 2017

Efeitos anticâncer do exercício no CA de mama - Parte II


Mulheres com câncer (CA) de mama que se exercitam durante e após o tratamento, além da melhora de suas qualidades de vida, justificada pela redução dos sintomas e dos efeitos colaterais do câncer e de seu tratamento, apresentam taxas de recidivas menores e consequente aumento de sobrevida.  Recentes evidências científicas sugerem que este efeito anticâncer do exercício físico se dá por dois fatores sistêmicos: crônicos (adaptação ao longo prazo), e agudos (de ação imediata).

Durante a realização do exercício, ocorrem importantes alterações de curta duração em vários componentes circulantes em nosso organismo, que em grandeza ultrapassam de longe as adaptações observadas com o treinamento em longo prazo - leia a primeira parte deste texto para saber mais sobre os efeitos crônicos. Essas alterações agudas afetam a biologia e a viabilidade de células tumorais no CA de mama.

Saiba quais são os fatores agudos em nosso texto Efeitos anticâncer do exercício no CA de mama - Parte II na coluna Paciente em Forma do Portal Oncoguia.

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Boa leitura e até a próxima...

Rodrigo Ferraz

20 março, 2017

Efeitos anticâncer do exercício no CA de mama - Parte I



Durante as últimas décadas, fomos expostos a inúmeros estudos que atestaram a prática de exercícios durante e após o tratamento antineoplásico quanto a sua segurança, capacidade do paciente em realizá-los e redução dos principais efeitos colaterais do câncer (CA) e de sua terapia. Como resultado, sabemos hoje que a melhora da qualidade de vida do paciente associa-se diretamente a melhora de suas aptidões físicas. 


Além destas evidências, mais recentemente, dados de estudos epidemiológicos sinalizaram que a realização de exercícios durante o tratamento também diminui os índices de recidivas e aumenta a sobrevida do paciente.  Segundo pesquisadores da Universidade de Copenhagen, este efeito anticâncer do exercício no CA de mama se dá pela regulação de fatores sistêmicos crônicos (adaptação ao treinamento de longo prazo) e agudos (após uma sessão de exercício). 

Saiba quais são estes fatores em nosso texto Efeitos anticâncer do exercício no CA de mama - Parte I na coluna Paciente em Forma do Portal Oncoguia.

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Boa leitura

Rodrigo Ferraz